Do césio ao punk

A história do HC-137

Aurélio, Flávio e João. Três figuras que participaram ativamente do início do movimento punk em Goiânia. E continuam até hoje. Em entrevista para o GOIANinROCK, muita conversa, algumas discordâncias e diversas histórias engraçadas. O assunto da noite era HC-137. Sem dúvidas, uma das bandas que marcou a cena rock goianiense.

Não se sabe ainda se o nome do grupo surgiu junto com a sigla ou depois dela. Flávio acha que depois. Aurélio tem certeza que não. Fato é: a banda que ficou conhecida como Horrores do Césio 137 gravou um vinil com músicas cuja temática variavam em torno desse assunto. E marcaram o rock goiano, em uma época em que gravar disco não era tarefa fácil.

Flávio participou da primeira formação do HC-137, responsável pela gravação de uma demo. Em seguida, entrou Aurélio. Para ele, essa foi uma época em que a maior preocupação dos integrantes da banda era o som. Queriam protestar, mas através da música. E isso foi um diferencial para a qualidade sonora do grupo. Já João Punk, apesar de não ter tocado na HC-137, viveu intensamente esse período e conta sobre as divisões que ocorriam dentro da própria cena punk.

Claudio Antônio, idealizador da HC-137 e também criador do primeiro selo de Goiânia, o Subway, não poderia deixar de ser mencionado. Visionário e empresário nato, foi um dos responsáveis por impulsionar não apenas o movimento punk, mas também o heavy metal na capital goiana. Como os headbangers superavam em muito o número de punks da cidade, Claúdio trazia diversos discos de bandas de metal para vender em sua loja. Mesmo sendo punk.

Histórias interessantíssimas num papo pra lá de descontraído. Vale a pena conferir e entender um pouco sobre como funcionava o início da cena punk goianiense. Por enquanto, um trechinho!

 

HC césio punk 
Postado em 16/06/2011 às 10h33

Um punk chega à cidade

Ano - 1982. Faltando pouco tempo para completar 18 anos, o garoto Eládio Teles veio de Santos para morar em Goiânia. O que mais lhe impressionou foram as praças e a quantidade de espaços livres pelas ruas de sua nova casa. Principalmente, quando comparada com sua cidade natal, "que só cresce pra cima". Com ideal anarco-punk na cabeça, o visual de acordo e uma guitarra na mão, Eládio trouxe novidades para a ainda jovem capital goiana.

Grande parte dos roqueiros locais só tinham visto "punks de verdade" em revistas. Apesar disso, e ao contrário do que talvez pudesse imaginar, o santista encontrou uma cena de rock em Goiânia. Em pouco mais de uma semana, já estava tocando em uma banda, a Sexta 13. E, aos poucos, foi conhecendo o pequeno, mas eminente, underground local.

Ao chegar, Eládio conta ter encontrado já várias cenas ocorrendo em paralelo, com influências diversas. Havia a galera do hardcore, do metal e do new wave. O primeiro show de rock que assistiu foi na Praça Cívica, local onde ele começou a vender camisetas de rock. Quando ele mesmo não as fabricava, com uma serigrafia improvisada em sua própria casa, o jovem punk as trazia de Santos.

Eládio considera que o estouro da música sertaneja ajudou a profissionalizar os músicos em Goiás e, consequentemente, a impulsionar a cena de rock. Essas e outras idéias desse paulista/goiano você poderá ouvir logo com a inauguração do site. Por enquanto, aquele trechinho:

 

Eladio punk 
Postado em 01/06/2011 às 16h53

As cores dos anos oitenta

O início do movimento pós punk goianiense

Quem vê o professor de lingua inglesa, Jadson Júnior, lecionando em sua escola de idiomas, não imagina a experiência que ele carrega no ambiente underground de Goiânia. Contribuinte da cena desde 1985, quando criou a primeira banda new wave da cidade, a Quarto Mundo, Jadson também escreveu o livro Das Cores ao Século XXI, em que conta a história do movimento pós-punk na capital durante os anos 80.

Os frequentadores da balada alternativa da cidade também devem lembrar do Horda, finado bar e ponto de convergência dos darks da cidade. Foi mais uma das criações de Jadson. Se a intenção da noite era dançar ao som pós-punk, gótico ou pelas ondas eletrônicas do dark/coldwave, o Horda era o destino certo. Seu fechamento deixou a cena obscura local com um gosto apocalíptico na boca.

Recentemente, Jadson vem sendo incentivado a ressucitar a Quarto Mundo, assim como retornaram alguns de seus antigos companheiros de cena - a banda Doentes à Procura da Cura, em nova formação como Doentes do Amor. Mas ele afirma não ter muitas intenções de voltar a tocar. Será que ele precisa de mais uma forcinha? Continuem incentivando!

Muitas de suas idéias e opiniões sobre a cultura underground local e em geral podem ser encontradas em seu blog, Jurassik Dark. É um apanhado de diversos assuntos referentes ao ambiente dark/alternativo, set lists de suas incursões como DJ, divulgação de eventos e resenhas críticas que vão de música a quadrinhos. Recomendado!

Para quem escreveu um livro sobre a Goiânia underground da década de 1980, é de se esperar que tenha muito a dizer. E foi bem por aí a entrevista de Jadson para o GOIANinROCK. Dê uma olhada num pedacinho do bate papo, enquanto a íntegra espera a estreia do site!


Goiânia para o mundo

A rede social dos fanzines

Sabe o blog? E a gama de possibilidades que você pensa ser possível só por causa da internet? Como contato com pessoas do outro lado do mundo, informações à vontade e comunidades virtuais? Então, meu amigo, você ainda precisa aprender muito sobre o mundo dos fanzines.

Bem antes da popularização da internet no Brasil, os garotos do punk já eram responsáveis por levar longe o nome de Goiânia. Em uma entrevista super agradável na Hocus Pocus, Glauco - músico, DJ e fã incondicional dos fanzines - nos contou sobre como funcionava esse universo.  

A idéia é simples: um pensamento a compartilhar e algumas cópias a reproduzir. Através de pequenas publicações feitas à mão ou em máquinas de escrever, e com muita colagem, eram produzidos os fanzines. Eles formavam redes tão grandes que alguns goianienses, como Glauco, chegavam a receber edições da China, Finlândia e outros países.  

Glauco também mostrou a importância do movimento punk na construção da cena goiana desde o fim da década de 1980. E se antes havia divisões e disputas entre as vertentes do rock, para Glauco, o cenário atual é de união e de cooperação entre os participantes. 

Se você freqüenta a cena rock’n’roll goianiense, provavelmente, já viu essa figura. Mas talvez não saiba o quanto é possível aprender em uma conversa com esse autêntico punk. Para variar, apenas um gostinho da ótima entrevista com Glauco.

Fanzines Glauco Punk 
Postado em 10/03/2011 às 13h25

 

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